quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Sobre Síndrome de Pica em Gatos


Menos de dois meses após a castração da minha gata, ela voltou para o centro cirúrgico para uma cirurgia de emergência. O resumo da ópera: Ela tinha comido 5 elásticos de cabelo (Também chamado de Lacinho, xuxinha, gominha, ou rabicó, dependendo da região geográfica do Brasil).

Eu descobri que algo estava errado logo nas primeiras 24 horas.

Foi rápido porque a Chia tem um amor supremo na vida: Comer.

Saché, carne fresca, nada descia.
Foram menos de 24 horas nesse impasse e ela começou o ritual do vômito.

Não era bola de pelo. Escovação estava em dia.

A gosma que veio no vômito tinha uma cor e uma textura estranha e logo vi que era um elástico de cabelo. Depois veio outro. Duas horas depois mais outro. Mais um veio depois.

Ai foi só vômito de bile. A veterinária foi acompanhando tudo em tempo real pelo whatsapp. Decidimos fazer uma ultrassonografia só por desencargo de consciência, afinal como podia caber mais alguma coisa no estômago de uma gata filhote?!

Mas cabia.

O quinto elemento estava lá e não tinha planos de sair. Toca levar a bichana pra operar.

O elástico estava caminhando pro intestino e foi removido cirurgicamente com sucesso.
O pós operatório foi aquela festa; A gata se furou tentando fugir da gaiola no período em que ficou internada e ficou parecendo um pikachu preto com duas bolas vermelhas simétricas embaixo de cada olho.

Quando voltou pra casa passou vinte minutos estressada e depois dormiu por quase 24 horas seguidas. Comeu a comida úmida prescrita, evacuou, dormiu como se não houvesse amanã.

Em menos de uma semana, só a pelagem raspada delatava a aventura anterior.

Chia é resiliente, se é que se pode adjetivar um gato dessa forma.
Ela sobreviveu a uma lista imensa, desgastante e cara de doenças e ainda não tem 12 meses.

A ópera aliás tem um nome: Síndrome de Pica.
Não é só porque seu bicho de estimação comeu alguma coisa que não é comida que ele tenha pica.
O diagnóstico depende das razões e da frequência dessa ingestão indevida.

Minha gata tem predileção por objetos têxteis, que podem ser novos, usados, limpos ou sujos. Ela come escondido, foge com eles, engole se você der a menor bobeira. Mesmo depois do pente fino já tive o desprazer de ver uma fita de cetim de 30 cm saindo no número 2.

A síndrome de pica é mais comum em cachorros e não há um consenso sobre o que a ocasiona; deficiência alimentar, separação precoce da mãe ou distúrbio psicológico. Não tem cura, mas há controle de danos. No caso, controle de objetos têxteis.

Viver com um animal com síndrome de pica envolve controlar os objetos e ter uma reserva financeira para cirurgias de emergência, mas no mais é muito parecido com ter um animal normal.

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sábado, 12 de novembro de 2016

Maxxi


Eu não estava lá quando você nasceu naquela quarta-feira dia 27 de maio, mas amei você desde aquela quarta-feira dia 05 de agosto, quando te vi embaixo do carro, abanando o rabo pra mim numa mistura que julguei ser de alegria e medo, mas que na verdade era uma timidez gentil que lhe acompanhou durante todos os dias da sua vida. 

Você veio da sua cidade natal até a minha, onde alegrou dias numa casa que já não era mais a minha casa, embora no fundo, de alguma forma, vá sempre ser. 


Você não quis ser “de” ninguém. Não tinha donos, só amigos. 


Você era de todos, alegrava todos e gostava de todos sem distinção. 


Você era o filhote preterido da ninhada, ligeiramente desproporcional, muito tímido, não gostava de passear, não entendia muito bem a dinâmica das brincadeiras. Era diferente de um jeito todo seu.


Tornou-se o pastor mais bonito, mais gentil e mais verdadeiramente bom de que já se teve notícia.
Aprendi de você um tipo de amor leve e despretensioso difícil de tentar explicar. 


Aprendi com você a respeitar o espaço daqueles que são diferentes, esperar o tempo dos outros e a não abandonar os amigos. Você entendia a solidariedade de um nível impossível pra mim e sempre foi motivo de reflexão. 


Na quarta, dia 16 de novembro você tinha um encontro quase certo com os amigos que já tinham cruzado a ponte, mas a história da sua vida, cheia de quartas-feiras terminaria num sábado dia 12, da forma como foi desde o princípio: Tranquila, sem alarde, de uma serenidade muito digna e silenciosa.
 

Meu coração partido está cheio de fragmentos das coisas que você me ensinou e quando ele parar de doer essa dor aguda e pungente, conseguirei rir feliz lembrando os bons momentos que não precisam ser gravados em tinta, porque não podem ser apagados com nenhum substrato.
 

Maxxi, só obrigado.
De coração.








sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Quero Bolinho!


Sou paulista e moro em BH.
Sempre que estou lá na minha terra as pessoas perguntam da vida na capital mineira.

Sempre respondo que quando mudei para BH, entendi o que é turismo gastronômico.

A comida é forte e encorpada, salões de beleza e academias simplesmente brotam em todas as partes, assim como lojas de açaí e espetarias.

E tem cada morro que não dá pra carro 1.0 nem fazendo figa! (Pra que academia?!)

Mas o trânsito...! Que medo!!
Eu sendo paulista do interiorrr e estando acostumada ao trânsito da capital e das rodovias do estado todo, depois de ser estradeira por uma vida toda, fiquei passada. (É a única coisa com a qual não consigo me acostumar...)

Mas logo de cara, nos meus primeiros dias dirigindo pelos morros, estradas e ruas daqui, encontrei os bolinhos. Ah! Os Bolinhos!!

querobolinho.com.br

Os bolinhos são uma invenção da grafiteira Maria Raquel Bolinho, estão espalhados por toda a Belo Horizonte (e por outras partes mais) e -descobri recentemente- são xodó dos belo-horizontinos!

Os bolinhos alegram minhas incursões por esse meu novo lar e me fazem rir ao volante.

querobolinho.com.br

 No site querobolinho.com.br, tem mais informações sobre os bolinhos e até o mapa de onde eles estão. Cada dia tem mais bolinhos saindo do forno e isso me motivou a fazer um fanart... Minha versão atual, nas Minas Gerais, em forma de bolinho, com direito a Chia e sapatilha de plástico.



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Info: Todas as fotos são do site oficial do bolinho da grafiteira Maria Raquel e estão reproduzidas aqui a título de divulgação. O fanart foi feito pela autora dessa postagem.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Sobrancelhas


Um diálogo que acontece com certa frequência, com conhecidas e desconhecidas:

"Onde você faz suas sobrancelhas?"
Eu faço em casa... 
"Você é designer?"
Sou designer... Mas não de sobrancelhas.

Quando comecei a fazer as sobrancelhas em casa, comecei por uma questão prática: Detesto ir aos salões de beleza por causa dos "tem".
Tem que marcar hora, tem que esperar, tem que escutar uns papos tão chatinhos...

Depois de um tempo comecei a fazer as sobrancelhas das amigas.
Eu não sou designer de sobrancelhas e não recomendo que todo mundo saia tentando...

É um dinheiro super bem gasto nos estabelecimentos e com as profissionais da área de beleza, mas se você é farinha do mesmo saco que eu (o saco do do it yourself), seguem 3 dicas preciosas:


1. Respeite o desenho da sobrancelha.

Se você quer a sobrancelha igualzinha a daquela famosa, reavalie! Moldar as sobrancelhas depende da quantidade e da localização dos fios; você sempre pode tirar fios, mas não pode inserir onde eles não existem e precisará esperar crescer onde foram removidos indevidamente.

Respeitando o desenho é mais fácil fazer a manutenção.

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2.Considere pintar com tinta.

Muitas mulheres de diversas faixas etárias tem aderido à sobrancelha definitiva por causa da praticidade, melhora no processo e no preço.


Meu problema com o definitivo é que ele é definitivo. (Obviedades à parte, nunca gostei de nada que fosse permanente, porque gosto de poder mudar de ideia e porque a quantidade de erros que surgem nesses processos é assustadora).

Conte ai nos dedos quantas sobrancelhas definitivas você viu e achou que ficaram artificiais ou esquisitas.

Se a sua sobrancelha é muito clarinha, considere pintar com tinta: Existem no mercado as tintas específicas para cílios e sobrancelhas, como a refectocil e a tintocil e muita gente usa a tinta regular de cabelo ou as tintas sem água oxigenada como a bigen e a natucor (É necessário frisar que não estou recomendando o uso de tinta não específica para sobrancelhas e que mesmo essas precisam ser testadas antes.)

Os prós e contras: Fica muito mais natural e dura de 6 a 20 dias dependendo do tipo de pele. ( É pró e contra ao mesmo tempo: Algumas pessoas gostam beeem marcado e sim, tem que ficar refazendo sempre. Mas ei... Não é assim como a esmaltação e outras chatices das rotinas de beleza femininas?)

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3. Como fazer o desenho?

Comece limpando.
A teoria é aquela que você já viu aos montes: a sobrancelha começa logo próximo da linha reta de onde começa o olho, o arqueado acompanha o meio e termina na última linha imaginária saindo do final do olho.

Na teoria a prática é outra.

A sobrancelha da maioria das mulheres está fora de pelo menos um dos pontos; Começa ou termina antes da linha imaginária, nem sempre arqueia no ponto desejado, faltam ou sobram muitos pelos.

C'est la vie.

Tire os que estão antes ou depois e acerte as falhas com lápis.
 Na dúvida volte ao primeiro ponto: Respeite o desenho original.



Na prática: 1. Sobrancelhas muito cheias são mais moldáveis que sobrancelhas ralas.

 2. Ás vezes aparecem pelos que você nem sabia que tinha, após a tintura.

 3. Os preenchedores de sobrancelhas em pasta deixam o conjunto muito artificial. Prefira sombra ou lápis ao preencher e use a cor correta. (Já vi verde musgo fosco ser a cor perfeita!)

4. Lápis Universal não é universal, claro. Só para tons de pele claro e medianos.
 

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Info: Fotos e ilustração feitos pela autora.


terça-feira, 9 de agosto de 2016

oGp


Meu primeiro blog solo, oGp foi publicado de 9 de agosto de 2004 a 9 de agosto de 2011.


Me lembro de muitas coisas divertidas que publiquei por lá nos sete anos de duração do gato preto.
Escolhi o nome que é super manjado, porque na época tinha escrito um texto sobre expectativas para o futuro, que incluíam ter um um gato preto, macho, vira-latas.

De lá pra cá já se vão doze anos.
Fazem cinco que o blog o gato preto foi encerrado.
De lá pra cá mudei de estado civil, de cidade e de estado.
Fazem seis meses que tenho um gato preto vira-latas que adotei como sendo macho e que é, na verdade, muito fêmea.

Quem disse que a vida é cheia de surpresas, sabia o que estava falando.

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Info: Ilustração feita pela autora. 
O blog OGp não está mais no ar e agora somente existe nos arquivos de backups.